Acordo entre Mercosul e UE abre mercado consumidor gigantesco
A França decretou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária das importações de certos produtos agrícolas, especialmente sul-americanos, que recebem tratamento com substâncias proibidas na União Europeia.
A medida é vista como uma resposta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul. Ela já havia sido anunciada pelo governo do país no último domingo (4).
Com a iminência da assinatura do tratado, França e UE buscam maneiras de tranquilizar agricultores e pecuaristas, que temem o impacto da chegada de produtos agrícolas do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Os ministros da Agricultura europeus devem se reunir na tarde desta quarta-feira em Bruxelas para abordar as preocupações do setor agrícola, que realiza protestos na França bloqueando estradas com tratores.
Veja os vídeos que estão em alta no g1:
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A suspensão temporária de importações, que entrará em vigor na quinta-feira (8) por um período de um ano, deve receber também a aprovação da Comissão Europeia.
Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, não poderão mais entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa e utilizados no tratamento de frutas, verduras e cereais: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Dado o perfil dos produtos, a suspensão afeta “principalmente a América do Sul”, embora “não seja um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país” que processe frutas e vegetais com essas substâncias, afirmou o Ministério da Agricultura francês no início desta semana.
Os agrotóxicos citados pelo governo da França são liberados no Brasil, mas o g1 perguntou ao Ministério da Agricultura se o país utiliza essas substâncias na produção das frutas que devem ser atingidas. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 fez os mesmos questionamentos à Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.
O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
Protesto de agricultores
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão estabelecida pela França, que pode ser aplicada antes da decisão final.
“Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (…) ou opor-se a ela”, explicou o ministério.
O decreto, que se aplica a produtos importados de fora da UE, também exige que as empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que os produtos importados não contenham as substâncias proibidas em questão.
O governo de Emmanuel Macron está sob pressão do setor agrícola, que recentemente realizou protestos significativos.
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Há também pressão política. Se Macron votar a favor do Mercosul, “ele corre o risco de enfrentar uma censura” de seu governo, alertou o líder conservador Bruno Retailleau sobre o acordo, que é rejeitado por todos os partidos.
Mas mesmo com a oposição francesa, a assinatura do tratado poderá ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovado pela maioria qualificada do Conselho Europeu.
Para tranquilizar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na terça-feira um financiamento adicional para os agricultores de cerca de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais), no âmbito de sua futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Os agricultores europeus temem o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
A França decretou, nesta quarta-feira (7), a suspensão temporária das importações de certos produtos agrícolas, especialmente sul-americanos, que recebem tratamento com substâncias proibidas na União Europeia.
A medida é vista como uma resposta à indignação dos agricultores franceses em relação ao acordo comercial UE-Mercosul. Ela já havia sido anunciada pelo governo do país no último domingo (4).
Com a iminência da assinatura do tratado, França e UE buscam maneiras de tranquilizar agricultores e pecuaristas, que temem o impacto da chegada de produtos agrícolas do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Os ministros da Agricultura europeus devem se reunir na tarde desta quarta-feira em Bruxelas para abordar as preocupações do setor agrícola, que realiza protestos na França bloqueando estradas com tratores.
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A suspensão temporária de importações, que entrará em vigor na quinta-feira (8) por um período de um ano, deve receber também a aprovação da Comissão Europeia.
Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e até batatas, entre outros, não poderão mais entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa e utilizados no tratamento de frutas, verduras e cereais: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Dado o perfil dos produtos, a suspensão afeta “principalmente a América do Sul”, embora “não seja um decreto dirigido contra a América do Sul, mas contra qualquer país” que processe frutas e vegetais com essas substâncias, afirmou o Ministério da Agricultura francês no início desta semana.
Os agrotóxicos citados pelo governo da França são liberados no Brasil, mas o g1 perguntou ao Ministério da Agricultura se o país utiliza essas substâncias na produção das frutas que devem ser atingidas. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 fez os mesmos questionamentos à Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e aguarda posicionamento.
O presidente francês Emmanuel Macron participa de cúpula de líderes da União Europeia em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025.
Reuters/Stephanie Lecocq
Protesto de agricultores
Bruxelas tem dez dias para analisar a suspensão estabelecida pela França, que pode ser aplicada antes da decisão final.
“Ao final desse período, a Comissão Europeia poderá optar por não se opor a ela e, portanto, mantê-la em vigor, ou estendê-la ao resto da UE (…) ou opor-se a ela”, explicou o ministério.
O decreto, que se aplica a produtos importados de fora da UE, também exige que as empresas do setor alimentício implementem controles para garantir que os produtos importados não contenham as substâncias proibidas em questão.
O governo de Emmanuel Macron está sob pressão do setor agrícola, que recentemente realizou protestos significativos.
Agricultores protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Há também pressão política. Se Macron votar a favor do Mercosul, “ele corre o risco de enfrentar uma censura” de seu governo, alertou o líder conservador Bruno Retailleau sobre o acordo, que é rejeitado por todos os partidos.
Mas mesmo com a oposição francesa, a assinatura do tratado poderá ocorrer em 12 de janeiro, caso seja aprovado pela maioria qualificada do Conselho Europeu.
Para tranquilizar o setor, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na terça-feira um financiamento adicional para os agricultores de cerca de 45 bilhões de euros (283 bilhões de reais), no âmbito de sua futura Política Agrícola Comum (PAC) 2028-2034.
Os agricultores europeus temem o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos na Europa, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção, em troca da exportação de veículos e máquinas europeias para o Mercosul.
g1 > Agronegócios
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