“Moradia é muito mais que um teto. Ela representa dignidade, segurança, pertencimento e a possibilidade concreta de construir um projeto de vida”. A afirmação, do deputado Pedro Kemp (PT), sintetiza as discussões da audiência pública “Fraternidade e Moradia”, realizada na tarde desta quarta-feira (11), no plenário Júlio Maia, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). O evento foi proposto pelo parlamentar em parceria com o Regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Arquidiocese de Campo Grande, como parte das reflexões da Campanha da Fraternidade 2026.
Durante o encontro, parlamentares, representantes da Igreja Católica, autoridades públicas e movimentos sociais discutiram os desafios da moradia no Brasil e defenderam a ampliação de recursos para políticas habitacionais. Segundo Pedro Kemp, garantir investimentos nessa área deve ser uma prioridade nas discussões do orçamento público. “Precisamos injetar mais recursos para habitação para que as políticas habitacionais alcancem mais pessoas. É um compromisso nosso, enquanto parlamentares, olhar com atenção para as rubricas ligadas à moradia quando a Lei Orçamentária chega para debate”, afirmou.
O presidente da ALEMS, deputado Gerson Claro (PP), destacou o significado simbólico do tema da audiência ao relacionar as palavras “fraternidade” e “moradia”. Para ele, a discussão une dois valores fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa. “Fraternidade é uma palavra muito cara, que remete à solidariedade e ao compromisso com a sociedade. Moradia, por sua vez, representa dignidade e um lugar para viver. A escolha de discutir a habitação associada à fraternidade é um grande acerto”, disse.
O deputado Junior Mochi (MDB) ressaltou que o déficit habitacional ainda é um problema grave no país e precisa ser enfrentado com planejamento e políticas públicas efetivas. Para o parlamentar, é necessário conhecer melhor a realidade para definir estratégias de superação. “Precisamos ter um diagnóstico preciso e estabelecer alternativas e prazos para avançar. Campo Grande, por exemplo, tem um dos maiores vazios urbanos do Brasil, o que favorece a especulação imobiliária e dificulta o acesso à moradia”, afirmou.
Ao falar sobre a Campanha da Fraternidade, o arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, destacou logo no início de sua fala que a iniciativa representa uma forma concreta de viver o período da Quaresma unindo fé e compromisso social. Segundo ele, a campanha é um convite para que as comunidades cristãs reflitam sobre problemas reais da sociedade e busquem caminhos de solidariedade. “É o nosso jeito brasileiro de se viver a quaresma, um jeito brasileiro de viver fé e política”, disse em referência à Campanha da Fraternidade, iniciativa que existe apenas no Brasil.
Dom Dimas lembrou que, há décadas, a Campanha da Fraternidade aborda temas sociais relevantes e mobiliza fiéis e instituições para o debate público. “O tema da moradia nos desafia porque os recursos necessários para superar essas dificuldades superam em muito a capacidade de nossas comunidades. Por isso, é um problema que exige parceria entre o poder público e a sociedade civil organizada”, afirmou. Ele acrescentou que a campanha é uma forma de aproximar fé e vida, fortalecendo o compromisso com a justiça social.



