Por que a taxa de mortalidade de bezerras é alta no Brasil
Um dos principais desafios das fazendas leiteiras no Brasil é a alta mortalidade de bezerras recém-nascidas.
Historicamente, as perdas giravam em torno de 10%, mas um projeto que reúne profissionais, universidades e institutos de pesquisa vem mostrando que é possível reduzir esse índice com investimento em estrutura e atenção ao manejo básico.
Desde 2017, o programa Alta Cria acompanha dados de mais de 200 propriedades em 10 estados, com forte presença em Minas Gerais. A proposta é transformar conhecimento técnico em soluções práticas para o produtor.
“O ideal é não passar de 3% de mortalidade. Já temos produtores que saíram da média de 10% e hoje trabalham com 2% ou até 1%”, afirma o zootecnista Rafael Azevedo, coordenador do projeto.
Produção mais que dobra na fazenda
Produtores de leite adotam medidas para reduzir a mortalidade de bezerras
Em Coromandel (MG), os irmãos Fernando e Henrique Silva assumiram a fazenda da família após a morte do avô, em 2008 (veja reportagem completa no vídeo acima).
Apesar da tradição na atividade, eles perceberam que seria necessário profissionalizar a gestão para se manter no mercado.
Os investimentos em genética e conforto animal fizeram a produtividade saltar de 17 para 43 litros de leite por vaca por dia. Ainda assim, a mortalidade das bezerras continuava sendo um problema.
“Morria quase tudo, vamos dizer assim”, relatam.
Segundo especialistas, as causas são diversas: doenças no umbigo e diarreia nos primeiros dias de vida; problemas respiratórios até os 90 dias; e a chamada tristeza parasitária, transmitida pelo carrapato, a partir dos três meses.
Para reverter esse cenário, os produtores investiram R$ 550 mil em um novo sistema de criação. O antigo modelo, com sombreamento a campo, deu lugar a 96 casinhas individuais, que protegem melhor os animais do clima e da umidade.
O manejo também mudou. O protocolo passou a incluir cura do umbigo com iodo, pesagem e o fornecimento de colostro — o primeiro leite — em até duas horas após o nascimento, essencial para garantir a imunidade das bezerras.
O cuidado começa antes do nascimento
A cerca de 200 km dali, em Carmo do Paranaíba (MG), o produtor Eldes Braga conseguiu reduzir ainda mais as perdas. Em um rebanho com cerca de 350 nascimentos por ano, apenas seis bezerras morrem — o equivalente a cerca de 1,7%.
No início, a realidade era bem diferente. “De três que nascia, duas morria”, lembra.
A mudança veio quando ele passou a focar no cuidado com as vacas ainda na gestação. O produtor investiu em um galpão exclusivo para os animais prenhes, com sistema de resfriamento por água e ventilação, para reduzir o estresse térmico.
“A vida desse animal depende dos cuidados que a gente dá para a mãe”, afirma.
Além do conforto, as vacas recebem alimentação específica, com proteínas e nutrientes que ajudam a fortalecer a imunidade da mãe e da cria. O resultado também aparece na produção: as novilhas passaram a parir mais pesadas, com média de 670 kg, o que contribui para maior produção de leite na fase de lactação.
Produção exige profissionalização
Para os produtores, a principal lição é que a atividade leiteira exige cada vez mais profissionalização.
“Valeu muito a pena. Estamos aqui hoje porque fizemos o dever de casa”, diz Henrique Silva.
O bom manejo das bezerras garante a reposição do rebanho e a substituição de animais menos produtivos, o que sustenta a rentabilidade no longo prazo.
Desde 2024, os pesquisadores do projeto também iniciaram um levantamento semelhante voltado para fazendas de gado de corte.
Um dos principais desafios das fazendas leiteiras no Brasil é a alta mortalidade de bezerras recém-nascidas.
Historicamente, as perdas giravam em torno de 10%, mas um projeto que reúne profissionais, universidades e institutos de pesquisa vem mostrando que é possível reduzir esse índice com investimento em estrutura e atenção ao manejo básico.
Desde 2017, o programa Alta Cria acompanha dados de mais de 200 propriedades em 10 estados, com forte presença em Minas Gerais. A proposta é transformar conhecimento técnico em soluções práticas para o produtor.
“O ideal é não passar de 3% de mortalidade. Já temos produtores que saíram da média de 10% e hoje trabalham com 2% ou até 1%”, afirma o zootecnista Rafael Azevedo, coordenador do projeto.
Produção mais que dobra na fazenda
Produtores de leite adotam medidas para reduzir a mortalidade de bezerras
Em Coromandel (MG), os irmãos Fernando e Henrique Silva assumiram a fazenda da família após a morte do avô, em 2008 (veja reportagem completa no vídeo acima).
Apesar da tradição na atividade, eles perceberam que seria necessário profissionalizar a gestão para se manter no mercado.
Os investimentos em genética e conforto animal fizeram a produtividade saltar de 17 para 43 litros de leite por vaca por dia. Ainda assim, a mortalidade das bezerras continuava sendo um problema.
“Morria quase tudo, vamos dizer assim”, relatam.
Segundo especialistas, as causas são diversas: doenças no umbigo e diarreia nos primeiros dias de vida; problemas respiratórios até os 90 dias; e a chamada tristeza parasitária, transmitida pelo carrapato, a partir dos três meses.
Para reverter esse cenário, os produtores investiram R$ 550 mil em um novo sistema de criação. O antigo modelo, com sombreamento a campo, deu lugar a 96 casinhas individuais, que protegem melhor os animais do clima e da umidade.
O manejo também mudou. O protocolo passou a incluir cura do umbigo com iodo, pesagem e o fornecimento de colostro — o primeiro leite — em até duas horas após o nascimento, essencial para garantir a imunidade das bezerras.
O cuidado começa antes do nascimento
A cerca de 200 km dali, em Carmo do Paranaíba (MG), o produtor Eldes Braga conseguiu reduzir ainda mais as perdas. Em um rebanho com cerca de 350 nascimentos por ano, apenas seis bezerras morrem — o equivalente a cerca de 1,7%.
No início, a realidade era bem diferente. “De três que nascia, duas morria”, lembra.
A mudança veio quando ele passou a focar no cuidado com as vacas ainda na gestação. O produtor investiu em um galpão exclusivo para os animais prenhes, com sistema de resfriamento por água e ventilação, para reduzir o estresse térmico.
“A vida desse animal depende dos cuidados que a gente dá para a mãe”, afirma.
Além do conforto, as vacas recebem alimentação específica, com proteínas e nutrientes que ajudam a fortalecer a imunidade da mãe e da cria. O resultado também aparece na produção: as novilhas passaram a parir mais pesadas, com média de 670 kg, o que contribui para maior produção de leite na fase de lactação.
Produção exige profissionalização
Para os produtores, a principal lição é que a atividade leiteira exige cada vez mais profissionalização.
“Valeu muito a pena. Estamos aqui hoje porque fizemos o dever de casa”, diz Henrique Silva.
O bom manejo das bezerras garante a reposição do rebanho e a substituição de animais menos produtivos, o que sustenta a rentabilidade no longo prazo.
Desde 2024, os pesquisadores do projeto também iniciaram um levantamento semelhante voltado para fazendas de gado de corte.
g1 > Agronegócios
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